terça-feira, 24 de agosto de 2010

Faculdade e diploma

Estou passando por um momento difícil em meu colégio, mas não tão difícil quanto os que eu sei que estão por vir.

Estou cursando o 9º ano, para os mais antigos a 8ª série, e é o segundo ano onde se há mais cobranças em meu colégio, perdendo apenas para o 3º ano. Por quê? É o ano do tão famoso CEFET.

É super importante em BH, e principalmente na região metropolitana, o CEFET e o COLTEC, para alunos da rede pública e privada. Para quem não conhece o CEFET é um colégio da rede pública que integra ensino médio e curso técnico, e é suuuuuper conceituado. O COLTEC é a mesma coisa, só que da UFMG.

Os professores vem me perguntar todo o dia se eu pretendo tentar CEFET. É sempre a mesma história:
"Amy, querida, você quer tentar CEFET?"
"Não"
"Ainda bem! Você não precisa de um emprego para ficar fazendo técnico. Mas exatas não é a sua área mesmo?"
(Eu me saio bem em todas as matérias, mas acho que pelo fato de eu ficar acordada nas aulas de história, geografia e ciências, o que não acontece com as outras matérias, significa para os professores que eu goste de humanas ou biológicas. Talvez estejam certos)
"É... não vai fazer muita diferença para o meu curriculum..."
"Mas um curso técnico sempre faz diferença em um curriculum... o que você pretende fazer?"
"Nada"
"Ah, entendo, você ainda não decidiu o curso não é? Mas já sabe a área?"
"Não vou fazer faculdade"
(Olhar de espanto e depois de desaprovação)
"Mas você é uma menina tão inteligente... aluna modelo em nossa classe... deveria fazer faculdade!"

E sempre a história se repete, só mudando as palavras. Para a maioria das pessoas é um absurdo não querer fazer faculdade, automaticamente rebaixa a pessoa ao nível de "João ninguém". De que serve anos de aulas e ensaios, dores no corpo, vários certificados de cursos e concursos, um DRT em dança, sem uma faculdade? No imaginário popular isso só prova o quão "vagabunda" essa pessoa é. Um bailarino não é ninguém, é só mais um sem um canudo.

Fico extremamente triste com esse preconceito, de que inteligência está vinculada ao ensino superior. De saber que nem meus pais concordam com minha decisão (mas, ainda bem, tenho 3 anos para moldá-los) e ouvir sempre a mesma desculpa: "E se você se machucar ou desistir, o que vai fazer da vida sem um diploma?". Morro de vontade de responder na cara do responsável pela pergunta: "Viro professora, porra!". Mas a boa educação me impede de fazê-lo e apenas dou um sorrisinho amarelado. O pior de tudo é que o preconceito não vem só de professores, vem principalmente de amigos e colegas de classe.

Me apropriando das palavras de Felipe Neto, em seu blog Controle Remoto:

"Esse foi o ponto em que chegamos no que diz respeito ao contexto social da educação. Se você quer ser respeitado, faça o favor de
ter um diploma. Sem ele, não conseguirá emprego decente, brigará por trabalhos que pagam mal e será visto como um tremendo vagabundo. É assim que é e não adianta chorar. A insuficiência de determinação na juventude atingiu tal ponto que a generalização pelo único resultado aceitável passou ao patamar do ensino superior. Sem ele? Bem, sem ele nenhum jovem pode ter capacidade o suficiente pra se destacar em coisa alguma. [...]
Os jovens não mais se interessam por estudo. Não se interessam por leitura. Não se interessam por conhecimento. São preguiçosos, não buscam nada até que realmente tenham que buscar. Consomem os recursos dos pais até simplesmente não poderem mais. Essa é a generalização burra feita por quem não admite as exceções. Se você é um jovem que lê uma média de 20 livros por ano, trabalha desde os quinze, tem estabilidade e reconhecimento no que faz e se dedica inteiramente à vida profissional que construiu, MAS NÃO TEM DIPLOMA? Ok, você é um merda. Muito mais merda do que aquele outro cidadão que passou a faculdade inteira matando aula pra fumar maconha e beber choppinho no bar da rua, trabalha como auxiliar de escritório e ganha menos de um terço que você. Afinal, ele tem diploma."
(
Para ler o texto completo e na íntegra é só acessar: http://controleremoto.tv/blog/2010/02/arrume-um-canudo-ou-sofra-com-o-preconceito/#more-2781 )

XoXo

PS: Felipe Neto é blogueiro, vlogueiro, e em suas próprias palavras:
notável e respeitado mestre na arte de não ter canudo algum. Admiro muito seus textos e opiniões... para conhecer um pouquinho dele é só ir em http://controleremoto.tv/blog/ ou procurar seu nome no
youtube.

2 comentários:

  1. Meu Deus!Se eu te falar que estou passando pelo mesmíssimo problema,você acredita?
    Estou me matando com o para tentar uma escola técnica e entre as aulas de ballet.Entre razão e emoção.
    Brigando muito com a minha família,porque eles realmente não entendem que a gente SABE que é difícil viver de dança no Brasil,mas que estamos dispostas a enfrentar as dificuldades.
    Nossa,me identifiquei demais com você e com o texto!! *pasma*
    Beijos.
    Sucesso ( :

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  2. Nossa, que legal saber que tem outras pessoas passando pelo mesmo que eu.
    É muito dificil conseguir ir contra as pessoas que amamos em qualquer ocasião, principalmente quando é sobre profissão, né?

    Beijos

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