quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Cisne Negro: minha opinião de espectadora x de bailarina

  •  Como espectadora
Cisne Negro é o filme que tinha todos os elementos necessários para se tornar um clichê, reprisado milhões e milhões de vezes na Tela Quente da Globo. Mas, por vários e vários fatores é um forte candidato a se tornar um filme clássico.

Ao assistir Cisne Negro não é possível distinguir o gênero, é algo sombrio perdido no meio do caminho entre drama e suspense. O espectador mais cinéfilo (eu acredito que me incluo nessa categoria) pode claramente observar os traços caracteristicos das obras de Darren Aronofsky e a semelhança desse filme com O Lutador.

A história se ambienta em uma companhia em Nova York (será uma versão fictícia do NY City Ballet? Tópico a ser pesquisado, haha) dirigida por Thomas (Vincent Cassel). Nina (Natalie Portaman) é uma das solistas e, com a aposentadoria da primeira bailarina Beth (Wyona Rider), é "promovida" a primeira bailarina. Por mais perfeccionista que ela seja, ela não atingiu uma maturidade artística (talvez nunca atingiria) que a permitiria se desconectar de si mesma e interpretar habilmente uma personagem com personalidade diferente. Ela é a Odette e jamais será a Odille (uma falta gravíssima para uma bailarina).

Há a relação de Nina com Thomas, que a "inicia" no mundo sexual (quem duvida que ela é virgem?) com a desculpa de ser forma de se conectar com sua Odille interior, com a mãe (Barbara Hershey), que a super protege, infantiliza e se realiza através da filha. Com Lilly (Mila Kunis, lembram dela em That 70's Show?) que supostamente seria sua rival e a Odille em essência. Mas, não há como negar que é um filme sobre a Nina.

É um filme onde apenas Nina é a protagonista e os outros personagens são quase figurantes. É um filme onde não há um vilão, já que ele está dentro da personagem de Natalie (nem venham me dizer que Lilly é a antagonista, por que não é. Se essa era a intenção, Mila querida, você fracassou enormemente). Se trata sobre os complexos, medos e paranoias dela.

Nina é, literalmente, maluca. Ela é adepta da auto-mutilação (inconsciente, claro), da bulimia, da anorexia e tem alucinações. Não tem amigos, não sai e pouco se diverte. E por mais que algumas bailarinas tenham se sentido "ofendidas" (dá pra acordar pra vida? A Ciranda da Bailarina não é real e a vida de uma profissional, para quem está vendo de fora, é uma merda) são coisas reais em muitas bailarinas e em profissões onde a perfeição é almejada. A perfeição não é inerente ao ser humano.
É um filme fantástico, que causa agonia em diversas partes. Ao fim do filme a grande maioria dos espectadores saiu calada, sem nem ao menos decidir se achou o filme incrivel ou terrível. Não é um filme para qualquer um, ouso até apostar que a quantidade de pessoas que vão fechar a cara quando mencionado o filme será muito maior do que a que vão sorrir.

Ah, coloca uma estrelinha no nome do(a) figurinista, por favor?

  • Como bailarina
Finalmente um filme de ballet bom! Convenhamos, todos os outros filmes de ballet se tratam sobre a mocinha do corpo de baile que se apaixona pelo primeiro bailarino/solista/professor... boooooring! Parece até que uma companhia é lugar para se ter um caso

A coreografia é, digamos assim, inovadora. Uma montagem completamente diferente das tradicionais, que tem como base o trabalho de Petipa e Ivanov. É possível observar as diferenças, principalmente, no pas de deux do cisne negro e nos pequenos cisnes. Gostei mas não tanto... é tão diferente!

Sobre as cenas de dança, alguém precisa me explicar como eles fazem os trabalhos com as dublês. Por que, honestamente, a bailarina que acreditou que era a Natalie e a Mila que estavam dançando merece uma marretada na cabeça. É fisicamente impossível alguém, principalmente na idade delas, aprender tão rápido e ter uma técnica daquele jeito.

Opinião final: c'est magnifique!

3 comentários:

  1. Achei que só eu tinha percebido isso: as pessoas deixando a sala de cinema absolutamente caladas. Na sessão em que assisti o filme, pareciam um monte de zumbis. Nem os grupos ou casais comentavam nada. Incrível, o filme. Vai demorar muito tempo até assistir um melhor, se é que isso vai acontecer. Eu mesma saí meio catatônica. Foi pisar fora da sala, que eu comecei a chorar loucamente e nem tinha noção do porquê.
    Parabéns pelo blog ;]

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  2. Eu vi o filme ontem,junto de meu marido ele claro ficou com ódio e disse que foi o filme mais idiota que já viu,ao contrário de mim que adorei.

    Bom eu não sou bailarina,mas travo uma guerra com um outro eu que muitas das vezes me prejudica ou acho que prejudica,as vezes fico me perguntando quem realmente eu sou?
    Como disse o escritor e dramaturgo Oscar Wilde
    “Cada um de nós carrega dentro de si o bem e o mal”.

    Sinceramente me vi na personagem,as vezes tentamos lutar com nosso lado sombrio pra que possamos viver numa sociedade cheia de regras...mas no fundo será que esse lado negro não seria a nossa transcendência... a tão sonhada perfeição?

    Enfim foi um prazer poder ver seus pensamentos,parabéns pelo blog.

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  3. Eu achei o filme emocionante, gostei de todas as partes e me vi na protagosnista porq tb sou bailarina, e amei o blog e de hj em diante vou seguir.

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